A produção científica em xeque na sociedade brasileira contemporânea

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema A PRODUÇÃO CIENTÍFICA EM XEQUE NA SOCIEDADE BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

INSTRUÇÕES PARA A REDAÇÃO
•    O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado.
•    O texto definitivo deve ser escrito à tinta, na folha própria, em ate 30 linhas.
•    A redação que apresentar copia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o número de linhas copiadas desconsiderado para efeito de correção.
Receberá nota zero, em qualquer das situações expressas a seguir, a redação que:
•    Tiver até 7 (sete) linhas escritas, sendo considerada “texto insuficiente”.
•    Fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo.
•    Apresentar parte do texto deliberadamente desconectada do tema proposto.

Texto I

Um terço dos brasileiros desconfia da ciência | Coluna (adaptado)

Karl Popper, nascido em 1902 na Áustria, foi um dos maiores filósofos da ciência do século 20. Ficou muito conhecido por questionar os preceitos positivistas da época, que viam na observação o caminho para se chegar ao conhecimento científico. Para Popper, a pura observação dos fenômenos não era suficiente para garantir que determinada situação se repetiria sempre.

Em um de seus exemplos mais célebres, o filósofo afirmou que mesmo observando milhares de cisnes brancos, era impossível assegurar que todos os cisnes são brancos, pois bastaria surgir um único cisne negro para derrubar o preceito. Assim, observações particulares não poderiam ser generalizadas, e a simples observação de um fenômeno não provaria sua verdade absoluta. Era preciso primeiro formar uma hipótese baseada, também, na intuição, para depois comprovar sua consistência por meio do método científico.

O mundo mudou muito desde a época do filósofo. Hoje, basta uma pessoa relatar um fenômeno nas redes sociais para que ele seja considerado fato. Estabelecer relações de causa e efeito com base em histórias pessoais não é novidade, mas a velocidade com que elas se espalham atualmente é surpreendente.

Se antes apenas os conhecidos da tia do vizinho ficavam sabendo que a senhora supostamente teria se curado de câncer de estômago com um chá, agora a história pode atingir milhares de pessoas em pouco tempo. E fazer um tremendo estrago, gerando não apenas curiosidade acerca do “medicamento”, mas dando origem a toda sorte de boatos e questionamentos.

(…)

A pesquisa Wellcome Global Monitor 2018, feita pelo Instituto Gallup e divulgada no primeiro semestre de 2019, representa o maior estudo mundial sobre a forma como as pessoas pensam a ciência e os principais desafios da área da saúde. Os pesquisadores entrevistaram 140 mil pessoas, sendo mil brasileiros com mais de 15 anos. No ranking dos 144 países participantes, o Brasil ocupa apenas a 111a posição entre os que mais confiam na ciência. Para 35% dos brasileiros, a ciência não merece confiança, e 1 em cada 4 pessoas acha que a produção científica não contribui para o país.

Para a matemática, filósofa e professora Tatiana Roque, coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), as pessoas não veem o resultado da contribuição científica em sua vida cotidiana, já que muitos cientistas costumam se isolar e têm dificuldade de comunicação. “Ultimamente, há um nítido aumento da preocupação dos cientistas em se comunicar melhor com a sociedade, mas ainda é um movimento incipiente”, afirma Roque. Sem conhecer os resultados das pesquisas científicas e com pouco ou quase nenhum contato com quem a produz, a população não vislumbra seus benefícios e tampouco desenvolve uma relação de confiança com a ciência.

(…)

“A pesquisa científica não precisa ser sempre aplicada, nem aplicável. Mas é necessário levar em conta a possibilidade de que os resultados de nossas pesquisas interessem a um público mais amplo. No fim das contas, escrevemos, na maioria das vezes, somente para os pares. A descrença na ciência é também uma resposta a esse isolamento”, completa a professora da UFRJ.

Texto ADAPTADO. Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/coluna-2/um-terco-dos-brasileiros-desconfia-da-ciencia-coluna/

Texto II

Educação Formal (Continuação da coluna do médico Dráuzio Varella)

Enquanto apenas 13% dos brasileiros confiam muito na produção científica, na Bélgica esse índice chega a 42% da população. Países mais desenvolvidos que o Brasil e cuja população tem índices de educação melhores, como Austrália, Alemanha, Canadá e França, apresentam taxas muito mais altas de confiança na ciência: 33%, 25%, 28% e 21%, respectivamente.

O Programa Nacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) é coordenado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e avalia estudantes matriculados a partir do 7º ano do ensino fundamental na faixa etária dos 15 anos. No último Pisa, com dados de 2015, entre os 70 países avaliados o Brasil ficou em 59º lugar em leitura, 63º em ciências e 65º em matemática, perdendo para outros países latino-americanos como Chile, México, Costa Rica, Argentina e Colômbia.

A média de tempo de estudo dos brasileiros também é mais baixa que a dos outros países do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai) e do Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul), segundo o relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) da ONU, divulgado em 2017: 7,8 anos, ante 8,6 do Mercosul e 8,8 dos países do Brics. “Claro que a educação formal tem relação com a crença na ciência, mas não devemos atribuir a uma suposta ignorância a descrença das pessoas de menor renda. Essa resposta fácil parte de um excesso de autoconfiança – e de autocomplacência – por parte da elite intelectual. Talvez as pessoas de renda mais baixa achem que a ciência não lhes diz respeito”, conclui Roque.

Por outro lado, políticas públicas de saúde mais amplas, cujos benefícios chegam a um maior número de pessoas, costumam contar com o apoio e a adesão da maioria da população. Um exemplo de uma política bem feita e que traz resultados visíveis para os brasileiros é a Política Nacional de Vacinação, uma das melhores do mundo. Não à toa, apesar de haver um nível alto de descrença na ciência, 80% das pessoas entrevistadas pela Wellcome Global Monitor consideram as vacinas seguras e eficazes (na França, por exemplo, 1/3 das pessoas não confia nas vacinas, apesar de os franceses ocuparem uma posição bem melhor que a do Brasil no Pisa).

“Não sei ao certo, é um palpite, mas acho que a confiança nas vacinas está descolada da confiança mais ampla na ciência. Justamente porque, no caso das vacinas, tivemos sucesso em mostrar o quanto podem servir como um cuidado público (dos poucos que funcionam). Arrisco dizer que, se as vacinas fossem pagas, e não parte de campanhas públicas de vacinação gratuita, as pessoas não confiariam tanto”, continua Roque.

Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/coluna-2/um-terco-dos-brasileiros-desconfia-da-ciencia-coluna/

Texto III

O Brasil está na segunda divisão mundial da produção de ciência e tecnologia. Até aí, nada novo. A baixa qualidade da educação, afinal, não deixa espaço para surpresas. Mas a crise torna esse quadro ainda mais agudo. Há uma potencial perda de talentos em curso, motivada pela busca de melhores condições de trabalho no exterior.

Mostra recente desse efeito é o caso da professora Suzana Herculano-Houzel. Ela anunciou que partiria para os Estados Unidos em busca de oportunidades melhores e o caso ganhou forte repercussão na internet. Suzana é pesquisadora, respeitada mundialmente por seu trabalho com Neurociência, e está migrando da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para a Vanderbilt University, em Nashville, Tennessee.

A saída de indivíduos com alto nível educacional de países pobres para ricos é um fenômeno bem documentado na literatura acadêmica de economia. Trata-se da chamada “fuga de cérebros” ou “de talentos”.

Evidentemente, o efeito disso é ruim para o país que perde trabalhadores. Economias mais pobres, em situações normais, já se defrontam com escassez de mão de obra qualificada. A saída dessa turma, portanto, agrava o problema. Ora, nesses lugares já há relativamente poucos médicos, engenheiros, cientistas, etc. E se, dentre esses profissionais, os melhores passam a escolher o exterior?

Publicado em 16/05/2016.
Disponível em: http://porque.uol.com.br/por-que-uma-fuga-de-cerebros-ameaca-o-brasil-na-crise/

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