A questão indígena no Brasil contemporâneo

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “A questão indígena no Brasil contemporâneo”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

TEXTO 1

A questão indígena em 2019, segundo esta liderança

Juliana Sayuri, em 18 de abr de 2019 (atualizado 30/04/2019 às 19h47)

 

Às vésperas do Acampamento Terra Livre, Bolsonaro escalou a Força Nacional para ocupar a esplanada. O ‘Nexo’ conversou com Marcivana Paiva sobre a luta dos povos originários diante do governo.

Desde 2004, lideranças indígenas de todas as regiões do Brasil se reúnem no Acampamento Terra Livre, uma manifestação na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. A 15ª edição do encontro, considerado “a maior assembleia dos povos indígenas do Brasil”, acontece entre 24 e 26 de abril.

Nas palavras do presidente Jair Bolsonaro, trata-se de “um encontrão de índio”. Em transmissão ao vivo no Facebook no dia 11 de abril de 2019, Bolsonaro afirmou: “Queremos o melhor para o índio brasileiro, que é tão ser humano quanto qualquer um de nós. Mas essa farra vai deixar de existir no nosso governo”.

Em nova transmissão no dia 17 de 2019, ao lado de cinco convidados indígenas que visitavam o Palácio do Planalto, o presidente criticou “ONGs internacionais” que estariam escravizando indígenas e isolando-os em aldeias. Também ameaçou demitir a diretoria da Funai, a Fundação Nacional do Índio.

Bolsonaro escalou a Força Nacional para ocupar a praça dos Três Poderes e a Esplanada dos Ministérios por 33 dias – a medida foi assinada pelo ministro da Justiça, Sergio Moro. Segundo o general Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional, o objetivo é “desencorajar violência” nas manifestações.

Em nota, os organizadores do Acampamento Terra Livre criticaram a medida. “Não somos violentos, violento é atacar o direito sagrado à livre manifestação com tropas armadas, o direito de ir e vir de tantas brasileiras e brasileiros que andaram e andam por essas terras desde muito antes de 1500.”

Após o Dia do Índio, celebrado em 19 de abril, o Acampamento Terra Livre pretende dar visibilidade à condição dos direitos e a reivindicações dos indígenas no país. Oficializado pelo decreto-lei 5.540 de 1943, promulgado pelo então presidente Getúlio Vargas, o Dia do Índio vem despertando discussões.

Para alguns autores e lideranças indígenas, certas celebrações podem consolidar a imagem de um indígena folclórico, apagando singularidades das muitas etnias (são mais de 250 povos, segundo dados atuais do Instituto Socioambiental) e a dimensão política da data, que envolve reivindicações históricas como a demarcação de terras, o respeito à identidade das diversas culturas e as políticas de ação afirmativa, como a que destina vagas a indígenas nas universidades, entre outras.

Segundo dados do censo do IBGE de 2010, os mais recentes, a população indígena é estimada em 817,9 mil, sendo que 502,7 mil residem em áreas rurais e 315,1 mil em áreas urbanas.

“É um momento de resistência dos povos indígenas do Brasil. O mês de abril é político para nós. Trata-se de um tempo para refletir sobre o contexto político e propor novas estratégias para resistir diante dos atuais retrocessos. É, também, um momento para buscarmos visibilidade. No imaginário popular, a cultura indígena “não combina” com a modernidade, com a cidade. Ainda predomina a ideia do índio com arco e flecha, caçando onça, caminhando na floresta. Isso invisibiliza o indígena no contexto urbano. Hoje, o número de indígenas nas cidades é expressivo. Só na capital amazonense, onde 60 grupos organizados se articulam na Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno, há 42 povos e 16 línguas. Segundo um levantamento feito em 2015, são 35 mil indígenas, no mínimo, vivendo na cidade de Manaus. É uma aldeia pluriétnica e urbana que, ainda assim, continua invisível para segmentos da sociedade e para políticas públicas no Brasil. E a invisibilidade abre margem para a discriminação – basta lembrar, por exemplo, de um certo deputado [Rodrigo Amorim, do PSL, eleito no Rio com apoio do clã Bolsonaro] que tratou a Aldeia Maracanã, que abrigou o Museu do Índio até a década de 1970, como “lixo urbano”.”

 

Texto ADAPTADO. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/entrevista/2019/04/18/A-quest%C3%A3o-ind%C3%ADgena-em-2019-segundo-esta-lideran%C3%A7a

 

TEXTO 2

UFRPE INAUGURA PRIMEIRA DISCIPLINA OBRIGATÓRIA DE RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS DO PAÍS

Terça, 26 Novembro 2013 13:10

 

A Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) promove, nesta segunda-feira (25/11), uma Aula Aberta de Relações Étnico-Raciais, com palestra da ex-ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República Matilde Ribeiro. O evento, que ocorre às 10h, no Salão Nobre, marca a inauguração da disciplina Educação das Relações Étnico-Raciais, que a Universidade institui como obrigatória na condição de pioneira entre as instituições públicas de ensino superior.

A UFRPE é a primeira universidade pública a estabelecer como componente curricular a disciplina, prevista pela Lei nº 11.645/08 , que altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, ao estabelecer as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.

A iniciativa da UFRPE foi oficializada no ano passado, por meio da Resolução n°217 do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão. Também foi a primeira a realizar concurso público para professor voltado exclusivamente para a disciplina.

De acordo com a pró-reitora de Ensino de Graduação, Mônica Lins, a disciplina já era oferecida de forma optativa no curso de Pedagogia. “Com a ampliação das discussões e o fortalecimento da ideia de transversalidade da temática, resolvemos dar um novo formato e tornar a disciplina obrigatória para todos os cursos de licenciatura e optativa para os bacharelados”, afirma.

A disciplina Relações Étnico-Raciais será ministrada com apoio interdisciplinar de professores dos departamentos de Educação e História da UFRPE. De acordo com o professor José Nilton de Almeida, do Departamento de Educação e coordenador de Pesquisas do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (Neab/UFRPE), essa resolução expressou a culminância de um complexo, rico e extraordinário debate transcorrido no âmbito de diferentes instâncias institucionais.

“Todos nós, professores e professoras, estudantes, pesquisadores e pesquisadoras e ativistas associados ao Neab/UFRPE, nos sentimos honrados em vivenciar este momento para o fortalecimento do diálogo e a composição de energias na construção de uma universidade mais democrática e plural”, ressalta.

 

Fonte: http://www.ufrpe.br/noticia_ver.php?idConteudo=13367

 

TEXTO 3

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