Apropriação Cultural

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Apropriação Cultural”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

TEXTO 1

Afinal o que é apropriação cultural?

Geledés Instituto da Mulher Negra
Por Stephanie Ribeiro da Revista Marie Claire

 

Em todo debate que participo falando sobre gênero e raça, as pessoas me perguntam sobre apropriação cultural. Geralmente, a pergunta é:

– “O que você acha de apropriação cultural?

De uma forma como se quisesse minha aprovação para algo. Então, vou logo dizendo:

– ”Quer usar o turbante? Usa. Nem eu, nem outra pessoa negra vai correr atrás de você com uma arma te impedindo de usá-lo.

Respondo isso sempre tentando fazer uma piada, tendo plena convicção de que a maioria das pessoas nem sequer vai usar um turbante na vida, mas precisa ter a sensação de que seu PODER para tal continua garantido. A questão é que apropriação cultural não é sobre usar ou não turbantes, e sim sobre PODER. O poder que uma sociedade e sua, que se colocou no posto de dominante, no caso pela colonização, tem para definir que as demais culturas e, consequentemente, os integrantes dessa cultura, são inferiores em relação a ela, MAS, a partir do momento que essas culturas ou seus elementos são apropriados pela estrutura dominante, esses elementos perdem a inferioridade e ganham o status de exótico e/ou se tornam lucrativos.

Portanto, apropriação cultural é um fenômeno estrutural e sistêmico. Isso significa compreender que ele não pode ser entendido ou problematizado sob o ponto de vista particular, individual. Claro que um indivíduo pode usufruir da apropriação cultural de um grupo ou povo, quando não possui autocrítica ou conhecimento sobre o tema. No entanto, as consequências desse processo são sempre em nível coletivo, na estrutura: favorecimento do processo de marginalização desses grupos ou povos socialmente invisibilizados e oprimidos inconscientemente.

 

Texto disponível em: https://www.geledes.org.br/stephanie-ribeiro-afinal-o-que-e-apropriacao-cultural/amp/?gclid=Cj0KCQiAmsrxBRDaARIsANyiD1ppw-HGs11OcVudyKoifAR-qJwTlH4GN1FOp9d6V4Ic3cyUNzYM3pAaAr5rEALw_wcB

 

TEXTO 2

Atriz Isabella Santoni surge de tranças afro e é acusada de apropriação cultural; entenda a problemática

Publicado em Famosos 30/12/2019 às 11:15

 

Polêmica! Apresentando seu novo visual em Fernando de Noronha, a atriz Isabella Santoni parece não ter agradado a todos. Isso porque, agora com tranças louras, ela foi acusada de ‘apropriação cultural’ na web. Essa não é a primeira vez que a artista passa por essas acusações.

Eu gosto, faço desde criança”, alegou em entrevista à revista Quem. De acordo com a atriz, as tranças ajudam no crescimento do cabelo. “No início dói um pouco depois acostuma”, descreveu Isabella Santoni. “Gostei de mudar. Já fui ruiva, loira, morena, raspei, pintei de rosa”.

Na web, a reação não foi das melhores. Enquanto uns aprovaram as madeixas loiras tranças, outros internautas acusaram a atriz de apropriação cultural.

No último dia 26 de dezembro, Isabella Santoni compartilhou a mudança no Instagram. Em um clique no espelho, ela apenas escreveu “Trancei” na legenda. A publicação conta com mais de 10 mil comentários.

Sabe aquela moça branca, classe média alta, (…) mas que não se importa com os negros, não da a mínima para a história; mas usa a sua cultura para lacrar e ganhar uma grana e alguns likes? É exatamente isso que essa moça está fazendo”, escreveu um usuário.

Parabéns por representar, enaltecer, relembrar a arte negra muito obrigado! Deveriam existir mais pessoas corajosas como você princesinha”, elogiou outro.

 

Texto ADAPTADO. Disponível em: https://blogs.ne10.uol.com.br/social1/2019/12/30/atriz-isabella-santoni-surge-de-trancas-afro-e-e-acusada-de-apropriacao-cultural-entenda-a-problematica/

 

TEXTO 3

O uso de turbantes por pessoas brancas é apropriação cultural?

O debate sobre a apropriação cultural, porém, ultrapassa as fronteiras de uma discussão individual sobre se pessoas brancas podem ou não usar adereços como turbante, cabelos trançados ou dreads.

Trata-se, principalmente, de uma discussão sobre racismo, etnocentrismo, capitalismo e sobre o uso que instituições como a indústria da moda fazem de produções de grupos minorizados. Pesquisadora na área de representação do negro na mídia, a bacharel em História e educadora Suzane Jardim explica como se dá o processo de apropriação cultural.

O fenômeno acontece quando um estrato social historicamente dominante marginaliza uma etnia, religião ou cultura, tornando seus símbolos e práticas abomináveis aos olhos da sociedade. Com isso, o grupo marginalizado abandona tais práticas, como uma forma de se adequar, na tentativa de sofrer menos preconceito.

Com esse processo concluído, o mesmo grupo responsável pela marginalização passa, então, a ressignificar essas práticas e símbolos antes condenados, tentando torná-los atrativos para a maioria da população e visando o lucro”, explica. “Nesse processo, toda a essência simbólica dos elementos é perdida. Eles passam a ser apenas objetos de desejo, cada vez mais caros e inacessíveis para os que foram primeiramente hostilizados”.

A filósofa Djamila Ribeiro, colunista de CartaCapital, dá o exemplo do axé music, nascido no Carnaval de Salvador, a cidade com a população mais negra fora da África. “O axé foi criado por pessoas negras, que hoje pulam o Carnaval segregadas, do outro lado da corda. As cantoras de axé que mais fazem sucesso hoje são brancas e loiras”, diz.

Além disso, o fato de cabelos trançados estarem na moda ou turbantes disponíveis em lojas de departamento e estampados em capas de revistas não se traduz em direitos e respeito aos negros e negras no Brasil. “Eu, quando uso turbante na rua, as pessoas me apontam e me discriminam. Ao mesmo tempo, uma pessoa branca com o mesmo acessório é vista como moderna”, conta Ribeiro.

A mulher branca que não faz parte de religiões de matriz africana usa o turbante, as tranças ou os dreads porque viu em revistas de moda que aquilo a deixa bela, porque encontrou locais onde poderia comprar tudo aquilo e sabe que receberá elogios com o uso”, afirma Suzane Jardim. Segundo ela, em geral esses elementos são vistos apenas como adereços estéticos.

 

Texto ADAPTADO. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/sociedade/turbantes-e-apropriacao-cultural

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