Causas e consequências da violência no esporte brasileiro

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Causas e consequências da violência no esporte brasileiro”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

TEXTO 1

A violência no futebol como um retrato do Brasil

Pisoteamento, arrastão, empurra-empurra, agressões, vandalismo e até mesmo furto a um torcedor que estava caído no asfalto após ter sido atropelado nas imediações do Maracanã. As cenas de selvageria protagonizadas no último dia 13 de dezembro, quando o Flamengo recebeu o Independiente pela final da Copa Sul-Americana, tiveram como estopim uma invasão de milhares de torcedores sem ingresso, que furaram o bloqueio policial e transformaram o maior estádio do Brasil em terra de ninguém. Um reflexo não só do quadro de insegurança que assola o Estado do Rio de Janeiro, mas também de como a violência social se embrenha pelo esporte mais popular do país. Em 2017, foram registrados 104 episódios violentos relacionados ao futebol brasileiro, que resultaram em 11 mortes de torcedores – outros sete casos ainda estão sob investigação.

Os dados são fruto de um levantamento anual realizado pela Pesquisa de Mestrado da Universo, coordenada por Mauricio Murad, professor e doutor em sociologia do esporte, que estuda o comportamento de torcidas. “Os distúrbios mais recentes no Maracanã apenas confirmam a incapacidade das autoridades em lidar com a violência no futebol”, afirma o pesquisador. Após o incidente na final da Sul-Americana, o Flamengo foi denunciado pelo Tribunal de Disciplina da Conmebol e pode ser punido com multa, perda de mando de campo ou até exclusão de campeonatos.

A diretoria do clube responsabilizou a Polícia Militar do Rio de Janeiro, alegando que a corporação “tem encontrado muitas dificuldades do ponto de vista de estrutura e contingente para realizar seu trabalho nas praças esportivas e outros pontos do estado”. Ainda argumentou, em nota oficial, que havia solicitado antes da partida o máximo efetivo policial à PM, que, por sua vez, entendeu que a forma de concessão de ingressos a sócios adotada pelo Flamengo, por meio de apresentação do cartão de crédito nas catracas, impossibilitou o bloqueio das ruas no entorno do estádio. O Ministério Público do Estado solicitou a abertura de uma investigação para apurar falhas de segurança no evento.

 

Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2017/12/28/deportes/1514427700_914142.html

 

TEXTO 2

‘Decisão histórica’, diz governador de Pernambuco sobre fim de Jovem, Inferno Coral e Fanáutico

Paulo Câmara enalteceu a sentença que determina a extinção das três principais organizadas do Recife

Publicado em 19/02/2020, às 00h48

 

O Governador de Pernambuco, Paulo Câmara, enalteceu bastante a sentença do juiz Augusto Sampaio Angelim, da 5ª Vara da Fazenda Pública, que decretou a extinção compulsória da Torcida Jovem do Sport, da Inferno Coral e da Fanáutico. Ele também determinou que cada uma pague à Justiça 10% dos honorários advocatícios do valor da causa. Com a decisão, a Receita Federal do Brasil está oficiada para cancelar os CNPJs das três torcidas organizadas, assim como o Banco do Brasil tomar todas as medidas cabíveis.

A atuação cooperada do Governo do Estado e MPE extinguiu as três maiores torcidas organizadas do Recife. Decisão judicial histórica, que merece reconhecimento. Rivalidade não pode ser sinônimo de violência. Torcedores querem paz. Demos mais um passo nessa direção”, postou no Twitter o governador Paulo Câmara.

AÇÕES

A sentença foi resultado de duas ações movidas pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) contra as torcidas organizadas, em 2012 e 2014. Mas que receberam forte pressão para serem finalizadas após o episódio mais recente de violência protagonizada por esses grupos, quando uma uniformizada do Sport invadiu festa de 106 anos do Santa Cruz, levando pânico ao bairro da Boa Vista, na região central do Recife.

 

Texto disponível em: https://jconline.ne10.uol.com.br/canal/esportes/futebol/noticia/2020/02/19/decisao-historica-diz-governador-de-pernambuco-sobre-fim-de-jovem-inferno-coral-e-fanautico-400181.php

 

TEXTO 3

A violência nos esportes — por que aumenta?

Violência — “Intrínseca” no Modo Como os Esportes São Praticados Atualmente

 

Atualmente, vincula-se aos esportes uma violenta agressividade. É interessante que a mesma comissão que preparou a resolução adotada pelo Parlamento Europeu tenha apontado que “a violência não é parte essencial do esporte, mas é intrínseca às condições em que o esporte é praticado e ao fato de que as regras do jogo, se puderem ser assim chamadas, não podem adequadamente coibi-la”. Por que isto se dá?

Bem, além dos atos violentos dos torcedores, o que mudou foi a forma como o esporte é praticado. Na própria sociedade, existe “crescente violência”, como reconheceu o Parlamento Europeu. Também, o mundo esportivo não mais sublinha apenas a atividade física. Por exemplo, em Atenas, em 1896, nos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna, um grupo de atletas britânicos foi desqualificado por terem treinado antes do início da competição. O simples ato de treinar antes dum evento esportivo era considerado contrário ao espírito amador que era patrocinado naquele tempo. Tal episódio, hoje em dia, provocaria uma risadinha na maioria das pessoas.

Depois da primeira guerra mundial, e especialmente depois da segunda guerra mundial, as pessoas que viviam nos chamados países desenvolvidos dispuseram de cada vez mais tempo livre. A recreação tornou-se rapidamente uma atividade lucrativa para o mundo dos negócios. Interesses financeiros ocuparam seu lugar, junto aos interesses nacionais e sociais. Os eventos esportivos da atualidade são “um cenário em que predominam fatores financeiros, políticos e sociais”. Em outras palavras, o esporte tornou-se um “fenômeno das massas”. Vencer muitas vezes significa milhões de dólares para os vencedores! A televisão também contribuiu para a popularidade dos esportes e pode ter aumentado a perversidade dos esportes. Não raro, a câmara de TV focaliza detidamente o jogo violento, em vez de os episódios julgados brandos, repetindo-o vez após vez por meio dos replays instantâneos. Assim, a TV pode, inadvertidamente, ampliar os efeitos da violência esportiva na mente dos futuros torcedores e jogadores. O esporte amador quase não existe mais, e seu lugar foi ocupado pelo “amadorismo profissional”, como um periódico o chamou, falando das dezenas de milhares de dólares ganhos pelos atletas em Seul, durante a Olimpíada de 1988.

O nacionalismo faz com que os atletas, treinadores, dirigentes e torcedores atribuam um senso exagerado de importância à vitória. Depois de certos eventos esportivos internacionais, atribuem-se honras triunfais ao lado vencedor, como no caso em que os comandantes vitoriosos voltavam para casa, nos tempos antigos. Tem-se observado isto nos anos recentes na Itália, na Argentina e nos Países-Baixos, onde os atletas literalmente lutam até seu último fôlego, inescrupulosamente. E os torcedores os imitam, cometendo excessos em sua demonstração de lealdade ao time ou à sua nação, atiçando brigas antes, durante e depois do evento esportivo.

Antes do início dos campeonatos internacionais europeus de futebol de 1988, o semanário alemão Der Spiegel disse que se temia que tal evento se tornasse um “campo de reprodução ideal de uma mistura altamente explosiva de agressividade, nacionalismo e neofascismo”.

 

Texto ADAPTADO. Disponível em: https://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/101989802

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