HIV: 30 anos após a epidemia, o estigma ainda permanece, contribuindo para o aumento de casos.

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “HIV: 30 anos após a epidemia, o estigma ainda permanece, contribuindo para o aumento de casos”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

TEXTO 1

Estigma e discriminação

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) protocolou na segunda-feira (03/02) uma ação que contesta a regra trabalhista que dá estabilidade a pessoas que vivem com o vírus HIV. A norma também abrange outras condições e doenças associadas a discriminação ou preconceito. Dois dias depois, o presidente Jair Bolsonaro gerou uma onda de críticas ao dizer que pessoas com HIV são uma “despesa para todos no Brasil”.

As falas do presidente geraram notas de repúdio de associações ligadas ao combate ao preconceito contra quem vive com o vírus.

Não será por meio da divisão, do preconceito e da ignorância que construiremos uma resposta eficaz à epidemia do HIV/AIDS. A principal lição em 40 anos de enfrentamento à Aids nos ensinou, sem qualquer dúvida, que o peso de estigma e discriminação na resposta social é a maior barreira ao controle da epidemia“, afirmou o Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), fundada em 1987 pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, e outros ativistas.

Ao dizer que as pessoas vivendo com HIV causam prejuízo à sociedade, o presidente autoriza tacitamente o estigma, a discriminação e a violação dos seus direitos humanos.

A ONG também criticou a ação movida pela CNI.

Para a ABIA, as duas ações estão em sintonia já que ambas reforçam o estigma, o preconceito e a discriminação contra as pessoas que vivem com HIV/Aids neste país.

A CNI informou que “não cogita na ação a defesa de medidas discriminatórias por parte do empregador”.

A Constituição rejeita tal prática em diversas passagens do seu texto e há legislações que tornam essas diretrizes efetivas, seja quando anunciam a vedação de práticas discriminatórias nas relações do trabalho, seja quando criminalizam atos específicos do empregador, como a exigência de teste e exame“, diz a associação.

O órgão continua: “A Confederação argumenta, no entanto, que a jurisprudência do TST evoluiu na direção de sempre presumir discriminatória a dispensa de empregado portador do HIV ou de doença grave que suscite estigma ou preconceito, se o empregador não demonstrou que o ato foi orientado por outra razão“.

 

Texto ADAPTADO. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-51390203

 

TEXTO 2

A saúde não deve ser um privilégio dos ricos— o direito à saúde pertence a todos

Postado: 21 de janeiro de 2020

 

A cada dois minutos uma mulher morre ao dar à luz. Entre as pessoas deixadas para trás estão mulheres, adolescentes, pessoas vivendo com HIV, gays e outros homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo, pessoas que usam drogas injetáveis, transgêneros, migrantes, refugiados e pessoas pobres.

O direito à saúde está evadindo dos pobres e as pessoas que tentam sair da pobreza estão sendo esmagadas pelos custos inaceitavelmente altos dos cuidados de saúde. Os 1% mais ricos se beneficiam da ciência de ponta, enquanto os pobres lutam para obter assistência médica básica”, disse Winnie Byanyima, diretora executiva do UNAIDS.

Quase 100 milhões de pessoas são levadas à extrema pobreza (definida como viver com US$1,90 ou menos por dia) porque precisam pagar por assistência médica e mais de 930 milhões de pessoas (cerca de 12% da população mundial) gastam pelo menos 10 % de seus orçamentos domésticos em saúde. Em muitos países, as pessoas não recebem assistência médica ou recebem assistência médica de baixa qualidade por causa de tarifas inacessíveis ao usuário. O estigma e a discriminação negam às pessoas pobres e vulneráveis, especialmente às mulheres, o seu direito à saúde.

Toda semana, 6 mil mulheres jovens em todo o mundo são infectadas pelo HIV. Na África Subsaariana, quatro em cada cinco novas infecções por HIV entre adolescentes estão entre meninas adolescentes e as doenças relacionadas à AIDS são as maiores causas de morte de mulheres em idade reprodutiva na região. Apesar do progresso significativo na redução de mortes relacionadas à AIDS e novas infecções pelo HIV, houve 1,7 milhão de novas infecções pelo HIV em 2018 e quase 15 milhões de pessoas ainda estão esperando para receber o tratamento de HIV.

Os serviços de saúde financiados publicamente são o maior equalizador da sociedade”, disse Byanyima. “Quando os gastos com saúde são cortados ou inadequados, são os pobres e marginalizados da sociedade, especialmente mulheres e meninas, que perdem o direito à saúde primeiro e precisam arcar com o ônus de cuidar de suas famílias.

Oferecer cuidados de saúde para todos é uma escolha política que muitos governos não estão fazendo. Um fator importante de problemas de saúde é a negação dos direitos humanos. Segundo o Banco Mundial, mais de um bilhão de mulheres não têm proteção legal contra a violência doméstica e quase 1,4 bilhão de mulheres não possui proteção legal contra a violência econômica doméstica. Em pelo menos 65 países, a relação sexual entre pessoas do mesmo sexo é um crime. Nos últimos anos, em alguns países, as repressões e restrições a lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e intersexuais aumentaram. O trabalho sexual é uma ofensa criminal em 98 países. Quarenta e oito países e territórios ainda mantém alguma forma de restrição relacionadas ao HIV na entrada, estadia e residência. Um estudo recente sobre políticas de trabalho sexual em 27 países concluiu que aqueles que descriminalizaram alguns aspectos do trabalho sexual têm uma prevalência significativamente menor de HIV entre profissionais do sexo.

Em 91 países, os adolescentes exigem o consentimento dos pais para fazer um teste de HIV e em 77 países exigem o consentimento dos pais para acessar serviços de saúde sexual e reprodutiva, criando barreiras para proteger os jovens da infecção pelo HIV. Uma das consequências disso é que a taxa de incidência do HIV entre jovens mulheres e meninas no leste e sul da África é duas vezes maior que a dos homens.

Na próxima década, podemos acabar com a AIDS como uma ameaça à saúde pública e alcançar uma cobertura universal de saúde. Os governos devem tributar de maneira justa, prestar assistência médica de qualidade com recursos públicos, garantir os direitos humanos e alcançar a igualdade de gênero para todos — é possível”, disse Byanyima.

 

Texto adaptado. Disponível em: https://unaids.org.br/2020/01/a-saude-nao-deve-ser-um-privilegio-dos-ricos-o-direito-a-saude-pertence-a-todos/

 

TEXTO 3

Daniel Fernandes, 34, Criador de conteúdo

Quando soube que vivia com HIV, a reação de Daniel Fernandes, que hoje tem 34 anos, foi serena. Um namorado tinha contraído uma IST (infecção sexualmente transmissível) e Daniel resolveu acompanhá-lo ao posto de saúde para fazer exames. Como estavam juntos, a médica decidiu testar os dois. O resultado foi que o namorado não tinha o HIV. Mas Daniel sim.

A médica achou que Daniel estava em choque, ao receber o resultado, dada a sua tranquilidade. Mas ele garante que não foi assim. “Eu estava bem, estava realmente bem. Para mim, não foi tão assustador quanto para a maioria das pessoas. Eu já tinha conhecimento de como era viver com HIV porque eu trabalhava como voluntário num Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), então eu estava tranquilo”, conta ele. “Mas o meu namorado não, estava desesperado, chorando horrores.”

Mas como é que alguém que trabalha num CTA, que tem toda a informação sobre o HIV e a AIDS, pode se infectar? “Bom, eu sou humano, né? E o ser humano nem sempre coloca em prática aquilo que sabe, infelizmente, é uma realidade. Mas eu realmente recebi a notícia de boa. Acho que, de qualquer forma, a informação é muito importante para a gente poder ficar em paz, ficar mais tranquilo.”

Seguindo o conselho do irmão, que foi seu grande companheiro naquele momento, Daniel resolveu adotar a máxima de “conhecer o inimigo” ainda mais. “Foi o que eu fiz. Fui atrás de informação, comecei a conhecer pessoas que viviam com HIV, pessoas que já tinham nascido com o vírus”, lembra Daniel. “E comecei a ter preocupações que não tinha antes: comer bem, dormir bem. Quando você não se entrega à dor, ao problema, fica mais fácil levar adiante. E quando você se ama, é mais fácil vencer barreiras. O HIV deixou de ser um inimigo.

A tarefa agora era levar esse conhecimento para outras pessoas, inclusive dentro da família…

 

Texto ADAPTADO. Disponível em: https://deupositivoeagora.org/#banner12-expandido

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