O ‘renascimento’ da natureza em tempos de isolamento social

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “O ‘renascimento’ da natureza em tempos de isolamento social”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

 

INSTRUÇÕES PARA A REDAÇÃO
•    O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado.
•    O texto definitivo deve ser escrito à tinta, na folha própria, em ate 30 linhas.
•   A redação que apresentar copia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o número de linhas copiadas desconsiderado para efeito de correção.
Receberá nota zero, em qualquer das situações expressas a seguir, a redação que:
•    Tiver até 7 (sete) linhas escritas, sendo considerada “texto insuficiente”.
•    Fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo.
•    Apresentar parte do texto deliberadamente desconectada do tema proposto.

 

TEXTO 1

Por que animais estão invadindo as cidades durante a quarentena?
Espécies silvestres estão tomando as ruas enquanto isolamento causado pelo novo coronavírus mantém pessoas trancadas em suas casas.

PORTAL R7, SÃO PAULO
24/04/2020 ÀS 07H16 – Atualizado Há 3 meses

 

Enquanto pessoas em diversos países seguem isoladas em suas casas devido à pandemia do novo coronavírus, algumas cidades têm as suas ruas tomadas por visitantes pouco comuns.

Javalis, cavalos, veados, macacos e diversos outras espécies de animais foram flagradas circulando por cidades desertas no Japão, na Tailândia e na Itália.

Segundo Mathias Mistretta Pires, professor do Instituto de Biologia da Unicamp e membro da Força Tarefa Covid-19 Unicamp, o que ocorre nesses casos é que a redução da atividade humana acaba permitindo que esses animais explorem mais os ambientes urbanos.

Em alguns casos, como em Veneza, isso está associado à menor atividade na água, o que permite que os cardumes de peixes se aproximem e, com isso, animais como golfinhos apareçam em busca desses peixes”.

O zoólogo e professor da Unesp, Carlos C. Alberts, explica que mesmo fora da quarentena, as cidades já se tornaram lar para diversos animais silvestres, devido à grande expansão urbana. Geralmente eles costumam sair somente à noite em busca de comida por medo, mas, “quando o ser humano desaparece, aquela grande área começa a ser invadida”.

Os professores explicam que muitos animais, antes de explorar uma área, avaliam o risco de entrar nela, não somente em relação ao ser humano, mas também a predadores ou outros indivíduos de sua própria espécie que possam ser uma ameaça.

Este cenário é chamado, em ecologia, de paisagem do medo. É ele que faz um animal mudar seu comportamento e evitar um local apenas por sentir o cheiro ou ouvir o som de um predador.

Quando diminuímos nossa atividade, também diminui o som, o cheiro, e toda a confusão de movimento de pessoas e veículos. Mesmo os animais mais ariscos percebem isso como uma pista de que é seguro percorrer aquela área, seja em busca de alimento, ou apenas por estarem de passagem para um outro local”, explica o professor da Unicamp.

Para ele, isso mostra como nossas atividades limitam a movimentação dessas espécies.

Segundo Carlos, os animais, ao longo de milênios, se acostumaram com um ser humano agressivo, seja caçando ou apenas afastando e matando sem necessidade. Com isso, animais mais tímidos tiveram mais sorte e evitaram a morte.

E essa timidez, como traço comportamental hereditário, passou para outros animais da espécie e, com isso, a espécie se tornou mais tímida como um todo”, comenta.

Mesmo com a dominância desta timidez, existem membros mais corajosos da espécie que gostariam de se aproximar dos locais urbanos e veem, na quarentena, o momento perfeito para isso. Com o final do isolamento e o retorno das atividades cotidianas, a tendência é que os bichos se retraiam novamente e retornem a seus locais mais escondidos.

 

Casos particulares
Segundo Mathias, os animais só conseguem estabelecer suas populações, de fato, em novos lugares quando a atividade humana cessa por períodos longos de tempo.

As áreas de exclusão em Chernobyl e Fukushima, que foram delimitadas devido aos acidentes com radiação. Mesmo havendo contaminação, a vida selvagem tomou conta do lugar e até espécies altamente ameaçadas de extinção hoje são vistas nessas regiões”.

O zoólogo da Unesp comenta que ao mesmo tempo em que isto é triste, também é uma lembrança de que, sem o ser humano, a natureza se refaz de uma maneira relativamente rápida. “É curioso imaginar que a atividade humana pode ser mais prejudicial aos animais do que radiação”, comenta Mathias.

Já o professor Carlos prefere um olhar mais otimista, já que, em todo lugar, vemos as pessoas filmando e tirando fotos quando se deparam com os animais. Isso é um indício de que o ser humano sente falta deste contato com a natureza, especialmente neste momento em que muita gente está presa dentro de casa.

Todos falam que poderiam estar passeando pelo parque ou fazendo uma viagem para perto da natureza. E esses animais por perto lembram a gente disso. Então, talvez, este tempo passado dentro do isolamento faça com que se reflita um pouco e se dê vazão a este amor que a gente tem pela natureza”, conclui o zoólogo.

 

Disponível em: https://ndmais.com.br/noticias/por-que-animais-estao-invadindo-as-cidades-durante-a-quarentena/

TEXTO 2

Queda da poluição por quarentena revela paisagens em cidades pelo mundo
Na Índia, no Quênia e outros países, montanhas podem ser vistas no horizonte, e seus moradores respiram ar mais limpo, algo impossível em tempos normais

Por Da Redação – Atualizado em 23 Jun 2020, 16h27 – Publicado em 15 Apr 2020, 13h48

 

As políticas de isolamento social e de quarentena incentivadas ou impostas devido à pandemia de Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, que já infectou cerca de dois milhões de pessoas no mundo e matou mais de 120.000, trouxeram resultados inesperados na paisagem de diversas cidades pelo mundo. Com a diminuição da atividade industrial e da circulação humana nas ruas, montanhas começaram a emergir no horizonte em lugares onde a poluição, até então, criava uma cortina cinza de gás carbônico.

A Índia, um dos países com maiores índices de poluição do mundo, colocou sob quarentena mais de 1,3 bilhões de pessoas. O resultado da quarentena pode ser visto no céu e nos melhores índices de qualidade do ar. Na capital Nova Delhi, apesar de ainda haver um tom cinza no céu, os moradores puderam respirar um ar mais limpo.

Já no norte do país, os moradores da cidade de Jalandhar amanheceram no dia 3 de abril com uma rara visão que antes ocorria somente após a chuva: sem esforço algum e dos telhados de suas casas, as pessoas puderam avistar a cadeia de montanhas Dhauladhar. Trata-se de uma perspectiva, em geral, contada pelos avós.

Em Nairobi, capital do Quênia, um fotógrafo capturou a imagem do Monte Quênia de dentro da cidade, o que antes seria impossível. “De vez em quando eu vejo o Monte Quênia nas manhãs, ele quase nunca está nítido e não vale uma fotografia, mas nesta manhã ele estava vívido e bem difícil de passar despercebido”, escreveu Osman Siddiqi em sua conta no Instagram. “Esta foto é uma prova do que podemos estar perdendo com a natureza.”

Um dos países mais impactados pela Covid-19, os céus da Itália também se beneficiaram. Mas foi em Veneza, uma das cidades turísticas mais movimentadas no mundo, que a mudança foi mais aparente. Com as gondolas atracadas e a menor movimentação, as águas dos canais estão calmas e menos turvas. Golfinhos, cisnes e cardumes voltaram a circular. A Praça de São Marcos, antes lotada de pessoas, está vazia. A impressão é a de uma cidade fantasma.

Apesar de a pandemia ter trazido de volta paisagens raras devido à diminuição da poluição, o vírus deixa um rastro de destruição por onde passa. Ao todo, a doença já infectou 2.000.984 de pessoas e, delas, matou 128.071. O pior cenário continua a ser registrado nos Estados Unidos, que conta com 609.696 infectados e 26.059 mortes.

 

Disponível em: https://veja.abril.com.br/mundo/queda-da-poluicao-por-quarentena-revela-paisagens-em-cidades-pelo-mundo/

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