Os desafios da Educação de Jovens e Adultos (EJA) para incluir quem a escola abandonou

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Os desafios da Educação de Jovens e Adultos (EJA) para incluir quem a escola abandonou”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

TEXTO 1

Educação de Jovens e Adultos

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade de ensino, que perpassa todos os níveis da Educação Básica do país. Essa modalidade é destinada a jovens e adultos que não deram continuidade em seus estudos e para aqueles que não tiveram o acesso ao Ensino Fundamental e/ou Médio na idade apropriada.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB 9394/96), em seu artigo 37º § 1º diz:

Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos, que não puderam efetuar os estudos na idade regular, oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as características do alunado, seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos e exames.

As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos no Ensino Fundamental foram publicadas em três segmentos e estão disponíveis no site do MEC. Já o currículo para o EJA no Ensino Médio utiliza como referência a Base Nacional Comum, que deve ser complementada por uma parte que atenderá a diversidade dos estudantes.

Muitas vezes as pessoas que se formam nessa modalidade de educação são vítimas de diversas espécies de preconceitos. É importante lembrar que a maioria das pessoas que freqüentam a Educação de Jovens e Adultos são comprometidas com a aprendizagem, entendem a importância da educação, portanto estão lá por que desejam e/ou precisam.

Geralmente, as pessoas que se formam nessa modalidade de educação, assim como as formadas pelo ensino regular, podem apresentar desempenho satisfatório no mercado de trabalho, assim como na continuidade dos estudos, inclusive no Ensino Superior.

 

Texto ADAPTADO. Disponível em: https://www.infoescola.com/educacao/de-jovens-e-adultos/

 

TEXTO 2

Os desafios da EJA

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) pode ser vista como o ápice do retrato das desigualdades sociais e econômicas do Brasil. Isto porque congrega em si duas faces: as fragilidades de uma escola excludente diante da diversidade e, no outro extremo, o direito de aprender independentemente da idade. Com isso, carrega também a responsabilidade de não excluir estas pessoas uma vez mais.

Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2017 deixam claro quem a escola abandonou: sete em cada dez brasileiros sem Ensino Fundamental completo têm renda familiar de até um salário mínimo. No Nordeste, 52,6% dos brasileiros sequer concluíram o Fundamental, enquanto no Sudeste, 51,1% têm pelo menos o Ensino Médio. As pessoas brancas têm 2 anos a mais de escolarização em relação às pretas e pardas e mais chances de chegar ao nível superior: 22,2% contra 8,8%.

As desigualdades também envolvem as questões de gênero e identidade. A proporção de mulheres jovens que não estudaram por conta da responsabilidade exclusiva de desempenhar os afazeres domésticos ou cuidar de pessoas é 32,6 vezes superior à dos homens envolvidos nessas atividades. Além disso, no Brasil, a evasão escolar de pessoas trans chega a 82%.

A EJA não é só um problema educacional, mas político e social”, resume Sonia Couto, coordenadora do Centro de Referência Paulo Freire, do instituto homônimo. “Para resolver um lado, tem que resolver os outros.

Não é isso, contudo, que se vê na prática. A especialista explica que os alunos evadem ou migram para a EJA em razão das falhas presentes no Ensino Fundamental e Médio. O Estado, por sua vez, não assume sua responsabilidade de resolver as questões que levam ao abandono escolar, culpando estudantes e professores pelo fracasso escolar e fazendo com que a EJA tenha mais um caráter assistencialista do que de direito, como assegurado pela Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).

Maria Margarida Machado, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás (UFG), concorda: “Usam a modalidade para transferir a responsabilidade, encobrindo a obrigação do Estado de garantir que esses adolescentes possam concluir a Educação Básica no tempo adequado.

Com a crise econômica e os recentes cortes de investimento na Educação Básica, exacerbados na Emenda Constitucional 95, que limitou o teto de investimentos em Educação e Saúde por 20 anos, o cenário não é promissor. Um levantamento de fevereiro de 2018 do Banco Mundial indica que jovens de 15 a 25 anos vivendo em lares afetados por quedas nos rendimentos têm 2,3% mais chances de abandonar os estudos.

Há uma precarização total da educação. Agora, com os investimentos limitados, tende-se a baixar ainda mais a qualidade na Educação Básica e produzir cada vez mais alunos da EJA, analfabetos e analfabetos funcionais”, explica Sonia.

No Brasil, 30% dos alunos da EJA têm entre 15 e 19 anos, segundo o Censo Escolar de 2017. A presença de adolescentes neste espaço se dá porque muitos precisam trabalhar no período diurno, mas não querem abandonar os estudos. Também por causa da distorção idade-série resultante de uma cultura de fracasso escolar ou por serem induzidos a se preparar para o ENCCEJA e obter um certificado mais rapidamente.

A escola deve preparar os alunos para lidar com o mundo de hoje e para entender a si e aos outros enquanto seres humanos que vivem coletivamente, capazes de alterar o meio. Não é um certificado que garante isso”, diz a professora.

Para ela, a exclusão da EJA do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) colabora para a marginalização desta modalidade de ensino. “Se o SAEB existe para melhorar a qualidade da Educação Básica, ao retirar a EJA da avaliação, encobre-se a qualidade do sistema inteiro, inclusive, porque é do interesse de muitas escolas que os alunos migrem para a EJA para, com isso, elevar sua nota nas avaliações”, diz.

A maior parte do dinheiro destinado à EJA vem do Fundeb, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica, mas o repasse que a modalidade obtém é inferior às demais etapas. “Desde a implantação do Fundo, a matrícula na EJA tem o menor valor. Se um aluno do Fundamental vale entre 1 ou 1,2, o da EJA vale 0,8”, explica Maria Margarida.

A EJA precisa ser vista como política pública, e não como programa ou caridade. Mas não é isso que acontece. No Plano Nacional de Educação (PNE), por exemplo, as quatro metas mais próximas de atender a modalidade se encontram em posições praticamente impossíveis de serem alcançadas”, lamenta.

Para Maria Margarida, esse conjunto de negligências mostra que não entendem o significado da modalidade. “Sem ofertar uma educação de qualidade, pensada para o aluno e suas vivências, com professores bem formados, as pessoas não vão voltar. E se voltarem, é provável que não permaneçam”, alerta.

 

Texto ADAPTADO. Disponível em: https://educacaointegral.org.br/reportagens/os-desafios-da-eja-para-incluir-quem-a-escola-abandonou/

 

TEXTO 3

“Segunda Chamada”: série da Globo ambientada em escola de jovens e adultos discute realidade da educação no país

Produção em 11 episódios mostra a luta de professores e alunos que, apesar das dificuldades, estão dispostos a aprender e a ensinar

 

Segunda Chamada, que estreia nesta terça-feira (na RBS TV, às 23h2min) é uma coprodução da Globo com a 02 Filmes. Foi inspirada pela peça Conselho de Classe, de Jô Bilac, que assina a criação da série com Carla Faou e Julia Spadaccini. A direção artística é de Joana Jabace. Radicada no Rio, ela precisou se mudar para São Paulo durante as 12 semanas de gravações, 85% delas noturnas. Isso porque Segunda Chamada se passa no universo da Educação para Jovens e Adultos (EJA), modalidade de ensino público voltada para aqueles que, por alguma razão, não puderam estudar na infância. As aulas costumam ser à noite, já que a maioria trabalha de dia.

Quase toda a ação da série transcorre na fictícia Escola Estadual Carolina Maria de Jesus — nome escolhido em homenagem à escritora negra mineira autora do referencial livro Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada (1960). Cada um dos 11 episódios é centrado na história de um aluno, entre eles a transexual Natasha (estreia da cantora Linn da Quebrada como atriz de TV); Solange (Carol Duarte), uma mãe solteira; Maicon (Felipe Simas), um motoboy desempregado; e Jurema (Teca Pereira), uma mulher idosa.

Os dramas dos professores atravessam toda a temporada. A protagonista Lúcia (Débora Bloch), que ensina português, volta a lecionar depois de uma tragédia pessoal e vive um caso extraconjugal com o diretor Jaci (Paulo Gorgulho). O corpo docente inclui Sônia (Hermila Guedes), de história e geografia, Eliete (Thalita Carauta), de matemática, e Marco André (Silvio Guindane), de artes. Caio Blat faz Paulo, um professor de literatura do período diurno, personagem que traz a chave para um mistério da trama.

Diretora e integrantes do elenco concordam que a série estreia num momento delicado, em que o sistema educacional brasileiro vive a ameaça de um desmanche generalizado.

Estamos vivendo a vitória da ignorância, da falta de educação — diz Débora Bloch. — Acho um absurdo que professores sejam perseguidos em sala de aula. Escola não é lugar de repressão. É lugar de debate.

Durante a preparação para viver Lúcia, Débora Bloch visitou escolas que oferecem ensino para jovens e adultos no período noturno. Já na primeira instituição em que esteve, um choque:

Você chega no escuro, sobe três andares até ter luz dentro da escola.

É esta realidade da educação no Brasil, que passa por problemas tão primários como a falta de recursos básicos até outros desafios como o de evitar a evasão de alunos, que Segunda Chamada vai abordar.

A proposta da série é mostrar, de forma realista, a luta de professores e alunos que, apesar das dificuldades sociais, econômicas e pessoais, estão dispostos a aprender e a ensinar.

Chegam depois de uma jornada de trabalho, já cansados e, mesmo assim, estão ali na escola, investindo em uma transformação e acreditando que aprender vai transformar a vida deles. E transforma, apesar de todas as dificuldades — afirma Débora.

Ao conversar com professoras reais, a atriz conta que foi interessante observar como elas são comprometidas com seus alunos:

Fizeram questão de me falar de cada aluno, a dificuldade de cada um. A minha personagem tem essa característica para além até do que essas professoras que eu conheci. Vai inclusive criar alguns problemas para ela e para a escola, porque quer resolver as dificuldades dos alunos para além da sala de aula.

Não existe país sem educação, não existe nação, não existe civilização sem uma boa educação e sem cultura — afirma Débora.

Caio Blat diz que a série vai mostrar como a educação pública ainda é abandonada no país:

E o quanto os professores têm de ser super-heróis para lidar com falta de recurso e com uma realidade que invade a sala de aula o tempo inteiro, a violência.

Para ele, é um absurdo o cerceamento que os docentes estão sofrendo.

O professor tem que receber todo apoio e toda liberdade para debater qualquer tema que ele achar pertinente na sala de aula. Todos os temas são importantes dentro da sala de aula. Política tem que ser falada dentro de sala de aula, educação sexual tem que ser falada dentro de sala de aula.

 

Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/tv/noticia/2019/10/segunda-chamada-serie-da-globo-ambientada-em-escola-de-jovens-e-adultos-discute-realidade-da-educacao-no-pais-ck1gtzeq103ty01n36d5drsm8.html

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