Por que as informações pessoais, não institucionalizadas, circulam facilmente em época de caos social?

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Por que as informações pessoais, não institucionalizadas, circulam facilmente em época de caos social?”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

TEXTO 1

Áudios fake sobre combate ao coronavírus se espalham por aplicativos de mensagem
São dois os inimigos: um é o vírus, o outro, as mensagens que se espalham feito ele. Uma delas é atribuída ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que já afirmou que a voz não é dele.

23/03/2020 23h08 Atualizado há 6 dias

 

Num momento em que a informação segura pode ajudar a salvar vidas, é difícil acreditar, mas tem gente que se dedica a gravar mentiras para espalhar em mensagem de áudio.

São dois os inimigos: um é o vírus. O outro, as mensagens que se espalham feito ele. Uma delas é atribuída ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Se a gente conseguir fazer um isolamento social importante nessa semana, a gente talvez consiga virar o jogo. Está bom? Espalhe isso para todo mundo que vocês tiverem”, diz o áudio.

Neste domingo (22), o próprio ministro afirmou que a voz não é dele e que a mensagem é falsa. “Eu estou aqui para falar que eu não gravo absolutamente nada de áudio; nunca fiz, não sei nem como usa. Tudo que eu falar vai ser dito claramente, sempre à frente aqui das câmeras. Os doentios da fake news gostam de se travestir da autoridade de alguém ou de uma pseudo autoridade para poder espalhar notícias, enfim, causar comoções, passar trotes, assustar pessoas”, afirmou.

Outra mensagem que andou circulando procurou espalhar medo sobre o número de casos de Covid-19 em São Paulo. “Teve ontem uma reunião com o pessoal do Einstein e do Sírio Libanês e eles falaram que, por ordem do governo, eles estão escondendo a quantidade de infectados e a realidade dos fatos. No Albert Einstein, hoje na UTI, em situação de vida e morte, tem mais ou menos 100 pessoas. Total de pacientes internados no Albert Einstein com coronavírus, aproximadamente 600 a 700 pessoas. Sírio Libanês, a situação está o dobro”, afirma a voz. O G1, que tem o serviço de checagens “fato ou fake”, já esclareceu que a mensagem também é falsa.

Outro áudio se espalhou no Paraná: “A situação dentro do HU (Hospital Universitário) fugiu do controle, tá? Tem inúmeros infectados. Ainda não foi divulgado, mas inclusive tem três crianças entubadas lá dentro. E, nesse momento, eles estão tendo que escolher a vida de quem eles vão salvar e quem eles vão deixar morrer porque não tem mais condições de atender todo mundo“.

É mentira. A polícia descobriu quem gravou e obrigou a mulher a se retratar. Ela pode ser responsabilizada por contravenção penal com pena que varia de 15 dias a 6 meses. “Eu acabei misturando as informações, exagerando um pouco. Menti a respeito das informações que eu tinha recebido de primeira mão… que estavam vindas de um aluno do meu esposo“, explica ela em novo áudio.

Em Mato Grosso, outro caso de fake news foi parar na polícia: “De ontem pra hoje, 60 exames deram positivo pro corona aqui no laboratório central, com kit mandado pelo Governo Federal… Então começou, tá gente?“. A Polícia Civil identificou uma médica que repassou a mensagem e informou que ela pode responder criminalmente.

Essas notícias falsas só confundem tanta gente porque muitas pessoas passam adiante pra família, pros amigos. Os grandes fatos, as grandes descobertas dessa pandemia, não vão chegar em mensagens anônimas pelo celular. No mundo todo, médicos, pesquisadores estão tentando entender melhor a doença, desenvolver remédios, vacina. Nós, jornalistas, que vivemos de apurar informações, estamos acompanhando e prontos pra dar as notícias – quando elas são verdadeiras.

O diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia lembra uma dica básica pra gente desconfiar dessas mensagens. “Não existe receita milagrosa, não existe nada que trate o coronavírus, não existe comer alho com vinagre, não existe vitamina D, não existe soro da imunidade. Isso tem que ficar muito claro. Acreditem nos médicos. Tudo por orientação médica. Não façam nada orientado por whatsapp, por favor”, apela Sérgio Cimerman.

O próprio Ministério da Saúde tem um canal para tirar dúvidas sobre mensagens falsas ou verdadeiras. Basta enviar o texto, imagem ou áudio para número (61) 99289-4640.

Este pesquisador da Universidade de São Paulo, especializado no monitoramento de redes sociais, explica que, num momento de preocupação como agora, as pessoas ficam mais vulneráveis a essas mentiras.

A gente sabe que isso tá bem estabelecido nos estudos… Que o compartilhamento, que a difusão de informação nas mídias sociais, está muito ligada a emoções fortes. Por medo, por causa de uma pandemia, as pessoas apertam muito rapidamente o botão de compartilhar sem pensar. E essa atitude impensada, irrefletida, que faz com que informação de baixa qualidade se difunda rapidamente“, explica Pablo Ortellado, professor de Políticas Públicas da USP.

Nos Estados Unidos, a brasileira cristina Tardáguila lidera uma grande rede internacional de checagem de dados. A rede já desmentiu mais de mil notícias falsas sobre o novo coronavírus: “A desinformação mata e a desinformação também dá lugar pra picaretagem. Então, por favor, não compartilhar nada que vocês não tenham certeza absoluta de que vem de fonte correta e que contém dados mínimos, como quem está mandando, de onde, quando foi gravado, quando foi escrito e que possui fontes reais de informação como autoridades médicas locais e internacionais“.

 

Disponível em: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2020/03/23/audios-fake-sobre-combate-ao-coronavirus-se-espalham-por-aplicativos-de-mensagem.ghtml

 

TEXTO 2

Fake news “do borracheiro” é usada para desacreditar números de coronavírus
Luís Adorno
Do UOL, em São Paulo

29/03/2020 11h22

 

A informação de que um porteiro morreu em um acidente e que em seu atestado de óbito tinha como causa o covid-19 está sendo replicada em diversas redes sociais entre ontem e hoje. A informação, no entanto, é mentira.

Em algumas postagens, o rapaz que morreu seria um porteiro. Em outras, seria caminhoneiro. Em outras, borracheiro. Diferentes imagens de um suposto atestado de óbito também circularam nas redes sociais. Em algumas, o CPF corresponde, em outras, não.

A fake news está sendo utilizada para desacreditar o número de mortes por coronavírus no Brasil. Até ontem, o Ministério da Justiça contabilizava 114 pessoas mortas por covid-19 no país.

 

 

No Twitter, diversos perfis, alguns com poucos seguidores, replicaram a mesma mensagem: “Gente! O primo do porteiro aqui do prédio morreu pq foi trocar o pneu do caminhão e o pneu estourou no rosto dele. Receberam o atestado de óbito como se fosse o covid-19. Eles estão indignados“.

No WhatsApp, foi espalhado o suposto atestado de óbito com um áudio de um homem afirmando o seguinte: “Esse amigo meu faleceu segunda-feira, ele era borracheiro. E o pneu de caminhão estourou, com ele fazendo o serviço. E ele foi socorrido para o hospital.

Agora o que nos intriga, veja aí o atestado de óbito, a conspiração triste para derrubar o governo Bolsonaro, ou seja, a maioria das pessoas que estão morrendo no estado estão colocando no laudo que é coronavírus. E eu tava lá, eu vi, o acidente foi um pneu que estourou no cara“, complementa.

 

Disponível em: https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2020/03/29/fake-news-e-usada-para-descreditar-numeros-de-coronavirus-no-brasil.htm

 

TEXTO 3

Polícia apura áudios que circulam no WhatsApp sobre propagação do coronavírus em MT
Pessoas que repassarem informações erradas sobre a pandemia de coronavírus vão responder criminalmente pelo ato.
Por G1 MT

23/03/2020 16h37 Atualizado há 6 dias

 

A Polícia Civil, por meio da Gerência de Combate a Crimes de Alta Tecnologia (Gecat), está apurando a origem de áudios oriundos de aplicativo de mensagem (WhatsApp) referentes a possíveis “fake news” em relação à propagação do coronavírus (Covid-19) em Mato Grosso. Pessoas que repassarem informações erradas sobre a pandemia de coronavírus vão responder criminalmente pelo ato.

Conforme o delegado da Gecat, Eduardo Botelho, todas as informações recebidas estão sendo checadas mediante informações repassadas pelos órgãos oficiais do estado e, havendo discrepância, a pessoa responsável pelo áudio será notificada para prestar os devidos esclarecimentos.

Um exemplo é um áudio relacionado a uma médica pediatra, que foi verificado pela Gecat. A profissional foi solicitada para explicar as informações e se retratou sobre as informações repassadas. Ela afirmou à Polícia Civil que repassou a mensagem sem confirmar a procedência do áudio, porém, disse que sua intenção não foi propagar o pânico, mas apenas alertar sua família acerca da gravidade da pandemia.

Esta será a conduta padrão da Gecat em relação aos casos semelhantes, sendo possível inclusive a responsabilização criminal dos autores”, alertou o delegado Eduardo Botelho.

Ainda segundo o delegado, as mensagens “fake news” mencionam dados inverídicos sobre pessoas contagiadas pelo coronavírus, o que coloca em descrédito o os órgãos oficiais do estado como um todo.

A Polícia Civil de Mato Grosso permanece atuando para combater e reprimir ‘fake news’, assim como comportamentos delitivos que, porventura, desobedecerem a determinações sanitárias e de saúde, determinadas pelas autoridades, para se evitar ainda mais a disseminação da pandemia do coronavírus.

A Gecat alerta ainda que a população deve buscar informações pelos órgãos oficiais como o Ministério da Saúde e a Secretaria Estadual de Saúde sobre as orientações e dados em relação ao coronavírus.

 

Disponível em: https://g1.globo.com/mt/mato-grosso/noticia/2020/03/23/policia-apura-audios-que-circulam-no-whatsapp-sobre-propagacao-do-coronavirus-em-mt.ghtml

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